Cheguei, tou vivo e com frio, mas tá tudo bem. Mas tenho que contar a aventura que foi chegar em Lviv.
Tudo começa do começo, nas despedidas no Aeroporto de Recife (inclusive, foi muito importante ver quem foi, valeu mesmo); entrei na sala de embarque e uns 30 minutos depois entrei no avião da TAP. Voamos era umas 23 e pouca. O voo foi muito tranquilo, mas muito turbulento. Tentei dormi, mas só cochilava, minha cadeira não reclinava e isso era bem desconfortável. A sorte é que não tinha ninguém do meu lado esquerdo e eu tava no corredor, então deu para se esticar um pouquinho, mas mesmo assim, foi muito chato.
Cheguei em Lisboa era 9 da manhã, horário local. Fui para a parte de conexão, já planejando como seriam as 12 horas dentro do aeroporto. Contudo a mulherzinha me falou que eu teria que sair para fazer o check-in de novo. Alegria. Então passei tranquilo pela Imigração (cara chato e grosso, mas me liberou logo) e fui pro balcão da TAP confirmar que eu estava livre. E estava mesmo, minha mala tinha sido despachada direto para Kiev, mas eu teria que fazer o check in novamente. 12 horas em Lisboa \o/. Mas antes, tinha que ligar para minha mãe, promessa é dívida. Me dirigi para o orelhão, tentei fazer uma ligação a cobrar (aprendi um dia antes com Tio Google), mas quem disse que o orelhão era simples assim feito no Brasil?

O danado do orelhão
Fui para um balcão de informações, e me recomendaram comprar um cartão para ligar, 5 euros. Ok, vamos comprar. “Ligue para esse número, desbloquei o cartão e faça a sua ligação”, disse a mulherzinha. E assim o fiz, liguei e desbloqueei o cartão e desliguei a ligação. Coloquei o cartão na máquina e nada. Meia hora depois, resolvi ligar para o número de novo e ouvir o que a portuguesa tava dizendo. Eu tenho que digitar o número do cartão. “Agora digite o número que você quer ligar”. Ah, tá. 1 hora e meia depois de chegar conseguir falar com mainha e dizer que estava vivo. E agora sim, livre para conhecer Lisboa.
Tem um ônibus que custa 3,50 e que vai para o centro de Lisboa, e esse mesmo onibus deixa novamente lá. “Beleza”, pensei eu. Peguei vários mapas e fui. O Aeroporto fica a 20 minutos do centro. E só por onde passavamos, já percebia que Lisboa é uma cidade linda. E é mesmo. Me apaixonei de verdade. Deu para ver muitas praças e monumentos históricos. Quero voltar e passar mais tempo. E só não fiquei mais tempo porque era umas 18h quando começou a chover e eu não tinha guarda-chuva comigo. Então achei uma parada e peguei o ônibus rumo ao Aeroporto.

Na Praça do Comércio, Lisboa
Aí eu cheguei, passei um pouco, tentei ler, liguei para o Brasil de novo e quando dei por mim eram 20:30, 1 hora pro meu voo pra Kiev. Me dirigi ao embarque que eu já sabia qual era por causa de mais cedo. E fiquei na fila esperando, ouvindo música. De repente, me dei conta de como era a fila e tirei os fones. Só conseguia ouvir uma língua bizarra. Foi aí que me dei conta que eu tava indo pra Ucrânia, onde se fala Ucrâniano e sabe-se lá quem fala inglês. Comecei lentamente a surtar internamente. Fiz meu check-in, entrei na sala de espera, embarquei no avião das Ukrainian International Airlines. Foi aí que eu surtei de verdade.

Oi?
O voo foi tranquilo e rápido. Eram para ser 5 horas, foi feito em 4:30. Sem turbulências, sem ninguém do meu lado. O problema era o ucraniano nas revistas, no cartão de segurança, na Coca-Cola, na farda das aeromoças, na instruções de segurança (de repente eu não sabia mais o que fazer num momento de pane ou algo assim). Mas tudo isso passou quando o aviao começou a descer e eu percebi que tava nevando em Kyiv e que o comandante disse que tava 0°. Foi fascinante e meio que me fez relaxar. Desci, e fui e lá estava a neve em toda a parte. Tava morrendo de frio, mas achei tão bonito (doidices). Fui para a Alfândega/Imigração, sem problemas rápido. Minha mala chgou assim que fui para a parte de bagagens. Sai, e agora? Bom, tenho que trocar meu dinheiro e pegar o ônibus para a estação de trem. Com a ajuda de uns portugueses que sabiam um pouco de ucraniano, consegui fazer tudo isso. os 75 euros da carteira, viraram 700 e poucas UAH (grívnias, moeda da Ucrânia), 35 UAH direto para o pequeno ônibus. E lá ia eu para a estação. Diferente de Lisboa, o Aeroporto de Kyiv fica uns 40 minutos da cidade.

Bem vindo a Kyiv!
Chegando na estação, deveria comprar meu bilhete para Lviv e ligar para Maryana, da AIESEC, e dizer que horas eu ia chegar. Ok, comprar o bilhete foi engraçado, a mulher não sabia inglês, então eu peguei um papelzinho, escrevi tudo e dei para a mulher, ela me devolveu com o preço: 104 UAH. Ok, vamos ligar para Maryana. Segundo ela, deveria ver algum celular Life, que liga de graça para outro Life. Perguntei a várias pessoas (em inglês) e ouvi várias coisas que acho que era “Não sei falar inglês” e ” Não tenho Life”. Até achar um grupo de jovens que tinha um celular Life e consegui ligar para Maryana. Só que ela não atendeu. E agora. Olhei para o relógio: 09:47. Faltavam 15 minutos para o meu trem sair. Resolvi que ligaria quando chegasse na cidade, não deveria ser problema já que não deve ser muito distante e eu chegaria umas 9 e pouca por lá. Corri desperado para procurar a plataforma e depois de muito esforço e umas ajudas meio em inglês, meio apontando, achei. Sai correndo para o meu vagão e achei minha cama, 15. Iria dividir a cabine apenas com um homem (que não sabe falar inglês, novidade). A viagem eram de umas 10 horas.

10 horas intermináveis de frio no trem para Lviv
Desci do trem, e agora? Ok, ligar para o pessoal da AIESEC Lviv. Consegui falar com Maryana, ela tava numa conferência regional, mas mandaria alguém me pegar, eu só teria que falar com a pessoa, Martha. Liguei para ela e ela disse que mandaria um táxi me pegar, para ir para a casa dela e me dá a chave do flat onde ficaria. O táxi chegaria em 15 minutos. 1 hora e meia depois, sem táxi, fui atrás de alguém que falasse inglês para usar o celular para ligar para ela novamente. Achei um pessoal de Kyiv, que tava voltando para casa, muitos simpáticos e solícitos, me ajudaram a pegar um táxi para a casa dela e checaram inclusive se eu daria o dinheiro correto para o taxista (aqui não tem taxímetro, o preço das distâncias é tabelado). Depois de chegar na casa dela, ela me deu a chave e instruções para o taxista . E depois de 15 minutos cheguei no meu flat. \o/
Essa foi a minha aventura para chegar em Lviv são e salvo. A primeira de muitas.