More Than Words

O alfabeto ucraniano é uma das variações do alfabeto cirílico, e é constituído de 32 letras:

А а Б б В в Г г Ґ ґ Д д Е е Є є Ж ж З з И и
І і Ї ї Й й К к Л л М м Н н О о П п Р р С с
Т т У у Ф ф Х х Ц ц Ч ч Ш ш Щ щ Ь ь Ю ю Я я

Parecendo assim, arrumado, em ordem fica até bonito, né. Só que não é. Essa alfabeto todo mundo que gera toda a língua ucraniana é super complicado e bem dificil do nosso, já que não tem a mesma base. Então tudo é realmente diferente. Essas letras não são iguais ao do nosso uso aqui, algumas letras correspondentes não tem a mesma fonética. Isso com certeza é um dos mais fortes choques culturais.

Nem as setas ajudam!

Pois é, depois de um tempo você acabe por se acostumar e com uma certa ajuda, passa a também compreender um pouco o que diacho essas coisas querem dizer. Pois bem, esse post é pra mostrar na prática como é difícil o ucraniano. Com algumas fotos que tirei no meu passeio desses dias por aqui. Vamos lá!

Private Bank = Banco Privado

Supermarket Elektronic - Supermercado de Eletronicos (tradução livre)

 

Pressa = Banca de Jornal

Apteka Kosmo = Apteka é fármácia e Kosmo é uma das mais populares lá.

 

Restoran = Restaurante!

Isso só foi pra dividir alguns momentos com vocês. Tá acabando meu intercâmbio, com certeza vou sentir falta de sofrer de entender as coisas nas ruas, nos restaurantes, nas conversas…

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Saturday Night Fever

Então, você aí, na sua vida normal, acha aqui no Leste Europeu estou me jogando na louca noite baladeira, né?

"Ni" diz o odiado presidente Yanukovych na sua cara.

Não que eu não vá para boates. Fui algumas vezes. O problema é que eu não gostei muito. É meio estranho. As pessoas vão extremamente arrumadas para a balada, do tipo camisa social (as vezes com gravata) e vestidos extravagantes. As pessoas dançam muito descompassado. Elas danças muito além da batida da música, ou elas simplesmente estão extremamente eufóricas com a balada. As pessoas dançam olhando para o espelho, se exibindo para os que existem nas laterais da ambiente. Na verdade, acho que as pessoas daqui não sabem o que é ritmo. Ou esse julgamento talvez, simplesmente, seja o peso da idade chegando (24 anos em alguns dias). Ou a falta dos meus amigos, que sempre fazem da balada um lugar ótimo. Resumindo, não me senti muito a vontade na vida de boates aqui.

A real diversão aqui para mim são os pubs e cafés. É o tipo de vida noturna que eu não aproveito ou eu não sei que tem no Brasil, pelo menos não que eu conheça em Recife (se tiver, façam favor de me apresentar). Cada pub/café tem a sua temática e tudo gira em torno disso. E essa interação com o tema do pub é fantástica.

O primeiro que eu fui se chama… bom, eu ainda não consegui aprender o nome. Nem eu nem meus amigos daqui. Sempre perguntamos o nome, e eu sempre digo “dessa vez sim”, mas nunca me recordo. Chamamos ele de Opera Place. Ele fica no subterrâneo da Opera House daqui de Lviv, o teatro Santa Isabel daqui. A temática dele é essa, bem artística e alternativa. Quadros feitos por clientes na escadaria da entrada. Trompetes e outros instrumentos na parede. E o banheiro é em luz negra e tem aquelas cores fosforescentes na parede que funcionam como a iluminação dele. Meu amigo Vinicius Lucena iria adorar. Ele também é um café, servindo comida e tudo o mais, vira e mexe estou lá usando internet wi-fi, quando eu não tinha no flat que eu morava. Fui em um em Ivano-Frankivsk que os ambientes faziam uma troca com os comodos da casa. O banheiro era a “cozinha” e das panelas do fogão é a pia, pra lavar as mãos e tal.

Também fui ao Masox Café. É um café masoquista. Sim masoquista. O tema do café é louvar atitudes masoquistas. A capa do menu é de pelúcia, mas tem pontinhas de alfinetes; há saltos pendurados fazendo as vezes de ganchos pra pendurar. A Cezara levou um tapa na bunda do garçom quando voltava do banheiro. E uma garçonete chicoteou alguns homens que estavam por lá. Se isso pega no Brasil…

Na frente do Masox Bar: nem queira saber o que tem nesse "bolso"

Mas de longe, o meu preferido é o Kryivka. Ele foi construído num antigo abrigo militar da resistência ucraniana contra o domínio russo, na época do Comunismo, creio eu. O tema todo dele é assim: para você entrar, você tem que responder o Slava Ukraini! (Glória a Ucrânia!) do porteiro com um Heroyiam Slava! (Glória a seus heróis!). Os pratos e copos são aqueles de metal, que você em filmes alimentando as tropas. Para fazer a troca do turno dos garçons, eles tocam um alarme e eles ficam enfileirados, como se fossem soldados mesmo, além de eles se vestirem como tal. Há outros soldados que passam procurando por russos no meio do bar, e com isso revistam as pessoas e interagem com os diversas mesas. E há um trio de sanfona e outros instrumentos que passa pelos vários ambientes de lá cantando músicas típicas que levantam o nacionalismo daqueles que lá estão. Eu acho que já fui umas 4 vezes pra lá. E contando…

Cosplay de Soldados Ucranianos

Mas o que não muda é a bebida: cerveja. O mínimo que você pode pedir é 500mL. Ela vem em grandes canecas de vidro. Em temperatura ambiente. Elas são fortes e não tão aquosas como no Brasil, talvez porque com o calor daí se precise hidratar mais do que ter gosto. Aqui o gosto da cevada predomina. Lógico que tem vodka também. \o/ Muito boas. Inclusive tem uma vodka bem gostosa, feita com mel: medohuva. Mas não se preocupem, nunca fiquei alterado ou bêbado aqui não.

Imagina...

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

You Learn

No meu primeiro dia aqui, eu consegui chegar com certa facilidade no supermercado perto do flat onde moro e comprar algumas coisas básicas para sobreviver nos primeiros dias. Umas delas, foi água. Foi tão lindo, vi aquele mundo de garrafa de água e peguei uma. Além de mim, os outros habitantes do flat também compraram, ao chegarem, suas águas. Horas depois, na hora da sede, temos a desagradável surpresa da água com gás.

Qual é com gás e qual é sem? Hein?

Foi uma das primeiras coisas que eu aprendi em ucraniano: ΗEГAЗOВAΗA BOДA (negazovana voda) é a agua sem gás. Ao contrário do Brasil, se você pedir só água (voda), vem com gás. Por isso peça negazovana. Outra coisa que aprendi logo foi ШИРОКА (shiroka), que é a parada de ônibus daqui do flat. No começo, quando a gente não sabia andar direito por aqui, a gente pergutava na volta pra casa: “Shiroka?”, e dependendo da resposta do cara (“Tak”/Sim ou “Ni”/No) é que a gente entrava. Aprendi a contar até três por causa da MАРШTКА (marshutka/ônibus) também. Aqui não tem cobrador, você dá o dinheiro para o motorista (custa 2 grivnias) Se você der mais, tem o troco e o troco depende de quantas passagens você quer: 1 (odyn), 2 (dva) ou 3 (try). E quando o ônibus tá lotado, o dinheiro sai passando até chegar na frente, e se você tiver na frente, você tem que passar a informação para o motorista. Ah, e não tem cordinha, o ônibus geralmente para em todas as paradas, para subida ou descida de passageiros, mas se não acontecer, você tem que gritar “zupani bud’laska!” (o famoso “vai descê, motô!). Também aprendi a agradecer (“yacuyu”), dizer oi (“privet”) e tchau (“pa-pa”).

Pra onde?

Mas tirando essas pequenas coisas, o Ucraniano é uma língua foda, além de ser por si complicado, tem o problema do alfabeto. O B que na verdade se lê como V, o P que na verdade é R, o C que é S e o H que é um N e por aí vai complica a sua vida na hora de você entender alguma coisa. Algumas coisas dá pra desenrolar, por figuras, principalmente no supermercado e quando tem foto no menu. Tirando isso, algumas coisas são mistério para nós e só com a presença de alguém daqui, ou do pessoal da Geórgia (que falam russo, lingua parecida com Ucraniano) que a gente desenrola nos cantos. Quando não, vai na sorte e na esperança que o garçom ou alguém fale inglês e salve o dia. Mas no final, sempre dá certo e até agora, estamos todos vivos e bem.

Menu legal é menu que tem inglês.

Por falar nisso, alguém falando inglês bem aqui é raro. Poucos jovens e outras pessoas falam mesmo um inglês para se comunicar. Lógico, o pessoal da AIESEC sabe falar inglês e é com eles que a nossa comunicação começa. Depois é que vamos descobrindo mais sobre o pessoal daqui. O mais estranho nisso é que ano que vem a Eurocopa vai ser aqui. Ok, no Brasil é igual, mas pelo menos ainda temos uns 4 anos pela frente (#ficaadica). Pelo menos Lviv, que vai sediar 2 jogos, raros restaurantes onde garçons falam inglês ou temos menus que não são em ucraniano.Apesar disso, a maioria dos alunos do nosso projeto tem um nível de inglês muito bom, graças a Deus, então as aulas tão sendo bem tranquilas nesse aspecto. Por falar nisso, o projeto tá indo, com algunas problemas, mas tá indo. Tou adorando ser treinador de soft skills (liderança, gestão de tempo, choque cultural, etc).

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Hot ‘N’ Cold

Sabe como é, brasileiro, nordestino, indo para o inverno da Europa, só quer ver neve e sentir o frio. E eu sempre quis isso mesmo, saber o quanto eu aguentaria num frio de verdade. Você vê nos filmes e na televisão, aquela coisa toda, os casacos, as pessoas tremendo, mas não consegue chegar perto do que realmente é estar num cenário desses.
Desde que meu avião pousou no Aeroporto de Kyiv, uma constante que estou passando é esse frio. Estava nevando naquele sábado de manhã na cidade e foi o meu primeiro contato com a neve e o frio que se tem que passar dentro dela. Contudo, para mim, tinha sido um momento meio que mágico: era a primeira vez que eu via e sentia a neve e tinha que lidar com ela; apesar de estar morrendo de frio, eu estava apreciando aquela sensação.

Êêêêêê!

Outra noite, depois de reuniões dos 2 projetos que estão rolando aqui em Lviv (Language School, e o meu, Skills Matter), fomos para o McDonalds conversar e comer besteira. Quando saímos, caia minúsculos flocos de neve. Tiramos fotos. Foi lindo. Me emocionei por dentro.

Visão da minha janela, antes.

Dois dias depois, quando eu acordo, estava nevando mesmo aqui na cidade. Grandes e grossos flocos de neve caiam do céu e da janela do flat dava para ver tudo branquinho. Cena de cartão postal. Mas quando eu sai de casa, eu senti as consequencias disso. Imediatamente eu voltei para casa e coloquei mais um casaco por baixo do grosso que eu já usava, além de colocar mais uma meia.

Visão da minha janela, depois.

Eu acho que foi aí que terminou minha lua de mel com a neve e o frio.

A neve é linda branquinha para ver, mas não se esqueça que ela é água sólida (lembra das aulas do colégio?), isso significa que pista de patinação na rua. Eu cai umas 3 vezes, sem falar nas inúmeras vezes que eu dançei “me segura se não eu caio”. E para as pessoas que acham que isso é por causa do meu desequilíbrio físíco-mental natural e a gravidade excessiva que pesa em mim, enganam-se: todos os outros trainees fizeram o mesmo, eu diria até mais.

Snow is a bitch!

Quando a neve se estabelece no chão é melhor ainda. Imagine caminhar numa areia bem fofa de praia com seu tênis, seu pé enterrando/atolando na areia (referência clara ao funk) e você fazendo todo aquele esforço para se mover. Agora imagine que a areia molha e congela o seu pé. Pronto, você já sabe como é.

Quando a neve derrete por completo aí é que é ótimo. A água se mistura com a própria sujeira da rua, e daí você tem que andar pelas maravilhosas poças escuras da rua.
Além desses obstacúlos, tem o frio também, que por si só já tira o seu sossego. Às vezes é suportável, mas quando venta, se abrace com alguém para ver se o mínimo de calor que resta em seus corpos, com o intuito de tentar suportá-lo, sem sucesso. Além disso, o meu lábio rachou aqui. Estou tendo que usar aquele batom (o nome é esse mesmo?) de manteiga de cacau (nem sei se é, não consigo ler a embalagem) toda vez que saio de casa.

Também acho engraçado e ótimo a dança dos casacos: São uns 5 minutos para você e os seus companheiros saírem ou chegarem de fato num determinado lugar. Tudo isso porque você tem que colocar/tirar todos os aparatos que você trouxe para se proteger do frio. É quase como se fosse um ritual. Também é interessante perceber a diferença da vida na rua (todo mundo unido naquela corrente silenciosa de “estamos congelando!!”) e dentro, com os maravilhosos aquecedores (quando eles funcionam bem).

Mas não é todo ruim. Como tudo na vida, você se acostuma. Você acaba aprendendo onde andar para não escorregar, porque você sabe qual parte da neve escorrega qual não. Você se acostuma com o frio e sabe quando tá mais frio para usar mais roupa. E apesar de tudo, você não consegue ficar brabo quando olha para isso:

Paisagem de cartão-postal

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

We R Who We R

Ser um forasteiro num outro país é uma mistura “agridoce” de emoções. Ao mesmo tempo que é “salgado/ruim” porque você não consegue se comunicar direito por causa da lingua e você não consegue andar pela cidade sem ajuda em inglês, é “bom/doce” porque você acaba se virando nos 30 e acaba descobrindo mais sobre a cidade do que os próprios habitantes. Contudo, o começo sempre é complicado e você não sabe ao certo o que fazer naqueles momentos tensos, nos quais você até sabe o que fazer em casa, mas que num outro mundo vira coisa complicada.

Tem uma interrogação...

Pois bem, passei 4 dias sem tomar banho aqui na Ucrânia porque não tinha água quente no meu flat. Ok, aqui não é feito Recife que em 5 segundos depois do banho você já está suado; o tempo frio não me faz suar e quando eu chego em casa depois de um dia no centro ainda consego sentir o cheiro do meu desodorante e do meu perfume. Mas convenhamos, são 4 dias. E não ter água quente não é frescura feito é ter em Recife. No inverno, a água que sai da torneira é mais gelada do que o gelo do seu freezer.

Quando eu cheguei aqui na madrugada do sábado para o domingo, eu não queria banho, queria dormir o sono do cansaço de 2 dias de viagem. Mas domingo de tarde (!), quando acordei, tudo o que queria era comer e me refrescar. Para comer, até conseguir desenrolar sair do flat e achar um supermercado aqui perto e comprar algo (Miojo salva vidas, no mundo todo); mas para o banho, cadê a água quente?? Então 2 meninas da AIESEC chegaram aqui em casa umas 15h, trazendo a minha primeira flatmate, Gizem, da Turquia. Muito fofa e simpática, natural de Istambul, ela vai trabalhar no projeto Language School, ensinando inglês para jovens daqui. Reportei o problema da água e elas disseram que iam ver como poderia ser resolvido. Daí decidimos sair e fomos conhecer o centro da cidade, na minha primeira interação com Lviv. Primeira impressão: a cidade é linda, com prédios históricos e e construções bem conservadas. Comemos no Пузата Хата (leia-se puzata rata) comidas típicas daqui (adorei, inclusive como muito lá) e até visitamos o festival do chocolate que estava acontecendo na praça do Market Square.

Festival do Chocolate, no Market Square

Quando chegamos em casa, a minha segunda flatmate estava na porta. Cezara, da Romênia, acabava de voltar da conferência regional da AIESEC e, como não tinha a chave, ligou para alguém mas não conseguiu retorno de onde estavam as pessoas com a chave (eu e Gizem) e ficou esperando 4 horas por nós. Cezara estuda Administração e Estudos Europeus em Cluj, tem namorado que mora na Dinamarca e vai trabalhar no Skills Matter comigo. Terminamos o dia conversando coisas e descobrimos que além de água quente, também não tinhamos internet na casa, teriamos que usar em algum café com wi-fi. No outro dia, conversariamos com o pessoal da AIESEC para resolver o problema, porque iriamos para a Reunião Geral deles. Chegamos no Centro, conheci minha terceira flatmate, Aylin, também turca, terminando Engenharia Química, uma pessoa extremamente engraçada por ser caricata, não consegue falar o nome de ninguém certo, também trabalhará no Skills Matter. Juntos, lutamos pelo nosso direito de água quente e internet. Eles iriam ver, mas parecia que ninguém poderia ir na nossa casa ver o problema da água quente. Da internet, teriam que esperar os outros trainees com o modem voltar para podermos ter.

No outro dia, íamos para uma apresentação do processo seletivo para membros da AIESEC daqui, falar da experiência de ser membro. Mas, antes de sairmos, precisávamos esperar o meu último flatmate, Samet, turco também, super engraçado e animado, mas que vai embora no começo de março por causa da faculdade. Quando ele chegou, fomos todos para a Universidade Politécnica (linda, por sinal) falar da AIESEC para quem tava querendo entrar. Foi bom.

Escritório da @Lviv

O melhor foi quando chegamos em casa, mais uma vez sem água quente e sem esperança de que alguém fosse realmente resolver nosso problema, decidimos mexer no sistema de aquecimento daqui (decidimos não, porque eu nem sei como funciona isso, né). Depois de apertamos alguns botões e girarmos algumas vòila, água quente. Tivemos que decidir no sorteio a ordem do banho, para não gerarmos conflitos. Fui o primeiro \o/.

Desde que moramos juntos, a gente meio que se considera uma família, cada um com sua função e na sua dinâmica e até com briguinhas e richas. Além deles, aqui na cidade tem outros internacionais: Tats (Japão) e Avto (Geórgia) e Janer (Turquia), todos do Language School; e Tiko (Geórgia) e Kevin (China), do Skills Matter. Tem outros, de projetos que estão acabando, mas não conhecemos todos, apenas a Thaysa (amiguissima, de Uberlândia) e o Gustavo (Floripa). De qualquer forma, nossa interação é muito boa, estamos virando muito amigos. E as discussões que temos são muito interessantes. Aprendo muito sobre a cultura e a visão de mundo deles e eles com a minha. Já conversamos sobre tanta coisa: política, economia, educação, futuro, intercâmbio, religião, música, filmes etc.

Gringos na neve

PS: Todo mundo sempre falava que para ser um perfeito Diretor de Intercâmbio na AIESEC, você tem que passar pela experiência de fazer intercâmbio antes. #fato. Só quando você passa pela burocracia de viajar para fora ou quando você vive a realidade de ser um estranho no ninho é que você pode realmente pode entender os problemas do intercâmbio. Se as pessoas tivessem um pouco mais de empatia, não haveria problemas de service. Por isso amigos e amigas, tratem bem e rápido os problemas dos trainees e dos intercambistas, eles só estão querendo viver decentemente em outro país. Veja a história da água quente. E ainda não tenho internet em casa.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

What I’ve Done?

Cheguei, tou vivo e com frio, mas tá tudo bem. Mas tenho que contar a aventura que foi chegar em Lviv.

Tudo começa do começo, nas despedidas no Aeroporto de Recife (inclusive, foi muito importante ver quem foi, valeu mesmo); entrei na sala de embarque e uns 30 minutos depois entrei no avião da TAP. Voamos era umas 23 e pouca. O voo foi muito tranquilo, mas muito turbulento. Tentei dormi, mas só cochilava, minha cadeira não reclinava e isso era bem desconfortável. A sorte é que não tinha ninguém do meu lado esquerdo e eu tava no corredor, então deu para se esticar um pouquinho, mas mesmo assim, foi muito chato.

Cheguei em Lisboa era 9 da manhã, horário local. Fui para a parte de conexão, já planejando como seriam as 12 horas dentro do aeroporto. Contudo a mulherzinha me falou que eu teria que sair para fazer o check-in de novo. Alegria. Então passei tranquilo pela Imigração (cara chato e grosso, mas me liberou logo) e fui pro balcão da TAP confirmar que eu estava livre. E estava mesmo, minha mala tinha sido despachada direto para Kiev, mas eu teria que fazer o check in novamente. 12 horas em Lisboa \o/. Mas antes, tinha que ligar para minha mãe, promessa é dívida. Me dirigi para o orelhão, tentei fazer uma ligação a cobrar (aprendi um dia antes com Tio Google), mas quem disse que o orelhão era simples assim feito no Brasil?

O danado do orelhão

Fui para um balcão de informações, e me recomendaram comprar um cartão para ligar, 5 euros. Ok, vamos comprar. “Ligue para esse número, desbloquei o cartão e faça a sua ligação”, disse a mulherzinha. E assim o fiz, liguei e desbloqueei o cartão e desliguei a ligação. Coloquei o cartão na máquina e nada. Meia hora depois, resolvi ligar para o número de novo e ouvir o que a portuguesa tava dizendo. Eu tenho que digitar o número do cartão. “Agora digite o número que você quer ligar”. Ah, tá. 1 hora e meia depois de chegar conseguir falar com mainha e dizer que estava vivo. E agora sim, livre para conhecer Lisboa.

Tem um ônibus que custa 3,50 e que vai para o centro de Lisboa, e esse mesmo onibus deixa novamente lá. “Beleza”, pensei eu. Peguei vários mapas e fui. O Aeroporto fica a 20 minutos do centro. E só por onde passavamos, já percebia que Lisboa é uma cidade linda. E é mesmo. Me apaixonei de verdade. Deu para ver muitas praças e monumentos históricos. Quero voltar e passar mais tempo. E só não fiquei mais tempo porque era umas 18h quando começou a chover e eu não tinha guarda-chuva comigo. Então achei uma parada e peguei o ônibus rumo ao Aeroporto.

Na Praça do Comércio, Lisboa

Aí eu cheguei, passei um pouco, tentei ler, liguei para o Brasil de novo e quando dei por mim eram 20:30, 1 hora pro meu voo pra Kiev. Me dirigi ao embarque que eu  já sabia qual era por causa de mais cedo. E fiquei na fila esperando, ouvindo música. De repente, me dei conta de como era a fila e tirei os fones. Só conseguia ouvir uma língua bizarra. Foi aí que me dei conta que eu tava indo pra Ucrânia, onde se fala Ucrâniano e sabe-se lá quem fala inglês. Comecei lentamente a surtar internamente. Fiz meu check-in, entrei na sala de espera, embarquei no avião das Ukrainian International Airlines. Foi aí que eu surtei de verdade.

Oi?

O voo foi tranquilo e rápido. Eram para ser 5 horas, foi feito em 4:30. Sem turbulências, sem ninguém do meu lado. O problema era o ucraniano nas revistas, no cartão de segurança, na Coca-Cola, na farda das aeromoças, na instruções de segurança (de repente eu não sabia mais o que fazer num momento de pane ou algo assim). Mas tudo isso passou quando o aviao começou a descer e eu percebi que tava nevando em Kyiv e que o comandante disse que tava 0°. Foi fascinante e meio que me fez relaxar. Desci, e fui e lá estava a neve em toda a parte. Tava morrendo de frio, mas achei tão bonito (doidices). Fui para a Alfândega/Imigração, sem problemas rápido. Minha mala chgou assim que fui para a parte de bagagens. Sai, e agora? Bom, tenho que trocar meu dinheiro e pegar o ônibus para a estação de trem. Com a ajuda de uns portugueses que sabiam um pouco de ucraniano, consegui fazer tudo isso. os 75 euros da carteira, viraram 700 e poucas UAH (grívnias, moeda da Ucrânia), 35 UAH direto para o pequeno ônibus. E lá ia eu para a estação. Diferente de Lisboa, o Aeroporto de Kyiv fica uns 40 minutos da cidade.

 

Bem vindo a Kyiv!

Chegando na estação, deveria comprar meu bilhete para Lviv e ligar para Maryana, da AIESEC, e dizer que horas eu ia chegar. Ok, comprar o bilhete foi engraçado, a mulher não sabia inglês, então eu peguei um papelzinho, escrevi tudo e dei para a mulher, ela me devolveu com o preço: 104 UAH. Ok, vamos ligar para Maryana. Segundo ela, deveria ver algum celular Life, que liga de graça para outro Life. Perguntei a várias pessoas (em inglês) e ouvi várias coisas que acho que era “Não sei falar inglês” e ” Não tenho Life”. Até achar um grupo de jovens que tinha um celular Life e consegui ligar para Maryana. Só que ela não atendeu. E agora. Olhei para o relógio: 09:47. Faltavam 15 minutos para o meu trem sair. Resolvi que ligaria quando chegasse na cidade, não deveria ser problema já que não deve ser muito distante e eu chegaria umas 9 e pouca por lá. Corri desperado para procurar a plataforma e depois de muito esforço e umas ajudas meio em inglês, meio apontando, achei. Sai correndo para o meu vagão e achei minha cama, 15. Iria dividir a cabine apenas com um homem (que não sabe falar inglês, novidade). A viagem eram de umas 10 horas.

10 horas intermináveis de frio no trem para Lviv

Desci do trem, e agora? Ok, ligar para o pessoal da AIESEC Lviv. Consegui falar com Maryana, ela tava numa conferência regional, mas mandaria alguém me pegar, eu só teria que falar com a pessoa, Martha. Liguei para ela e ela disse que mandaria um táxi me pegar, para ir para a casa dela e me dá a chave do flat onde ficaria. O táxi chegaria em 15 minutos. 1 hora e meia depois, sem táxi, fui atrás de alguém que falasse inglês para usar o celular para ligar para ela novamente. Achei um pessoal de Kyiv, que tava voltando para casa, muitos simpáticos e solícitos, me ajudaram a pegar um táxi para a casa dela e checaram inclusive se eu daria o dinheiro correto para o taxista (aqui não tem taxímetro, o preço das distâncias é tabelado). Depois de chegar na casa dela, ela me deu a chave e instruções para o taxista . E depois de 15 minutos cheguei no meu flat. \o/

Essa foi a minha aventura para chegar em Lviv são e salvo. A primeira de muitas.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Start of something new

Então, esse blog é para contar da minha vida do intercâmbio. Tou indo pra Lviv (se pronuncia le-viv’), Ucrânia, passar 2 meses trabalhando no Skills Matter, projeto da AIESEC de lá. É o meu primeiro intercâmbio (de muitos, se Deus quiser).

Hoje, comprei minha passagem e a mala da viagem. Isso me fez perceber duas coisas: “EU VIAJO EM UMA SEMANA” e “MEU DEUS, TEM TANTA COISA PRA RESOLVER”. No final das contas, se eu pensar direitinho, tá tudo encaminhado. Mas a ficha tá caindo aos poucos e me fazendo perceber a intensidade de tudo isso que eu vou viver.

Por enquanto é isso. O blog está inaugurado. O próximo post provavelmente será de Lisboa (onde farei minha primeira parada) ou já em solos ucranianos.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário